Hands together

A tradicional fábula corporativa “a galinha e o porco”, volta à evidência ao analisarmos o ambiente de turbulência, e os novos estilos de liderança requeridos pelas empresas. Igual a proposição da fábula, temos notado um fenômeno recorrente em nossas atividades de consultoria em Gestão de Mudanças. A maioria dos grupos de trabalho, formados para atuarem como equipes de alta performance, acabam sucumbindo e não alcançando os objetivos e metas esperados.

Na fábula, uma “galinha americana propõe ao incrédulo porco”, a união de esforços para entrarem no promissor segmento de “breakfast”, ou seja: o fornecimento conjunto de “ovos com bacon”. Esta proposição de “trabalho em equipe” foi naturalmente refutada pelo porco, ao ponderar de que a galinha simplesmente estaria envolvida no fornecimento dos ovos, enquanto ele, estaria totalmente comprometido, tendo até que amputar as duas pernas para participar do projeto.

A grande falha nas empresas na formação de equipes de alta performance está exatamente em não conseguir identificar os fatores causadores da falta do comprometimento necessário aos objetivos propostos aos grupos.

A falta deste comprometimento é resultante de um fator chave chamado: Motivação

Usando um exemplo bem popular de Motivação, ou a falta deste fator, explica como uma equipe como o Corinthians logra vencer a equipe do São Paulo Futebol Clube, com uma performance de campeão, e na semana posterior quase não consegue encontrar meios para bater a fraquíssima equipe do Ituano, que afinal de contas havia perdido de nove a um do Santos F.C, por exemplo.

Estudos demonstram que os fatores Motivadores requeridos ao Comprometimento dos colaboradores guardam relação direta entre o senso de Ameaça e Segurança que as pessoas vivenciam em seu ambiente de trabalho. Duas características que poderiam igualmente ser expressas pela busca constante do prazer, e também uma forma de se evitar o sofrimento.

Freud já havia identificado há anos em seu Pensamento Social, que o propósito da vida em essência, exprime-se pela busca do prazer, como forma objetiva de se evitar o sofrimento neurótico do ser humano em seu processo civilizatório. No presente caso, esse propósito é representado por um ambiente social chamado empresa. Estudos sobre o comportamento humano nas empresas demonstram que há uma seqüência coordenada de ocorrências, e que levam ao comprometimento das pessoas, ou ao caminho oposto, tendo como eixos principais: a Conexão Social e o Nível de Ameaças ou Desconfortos.

Vivemos em um ambiente de predominante complexidade nas relações interpessoais, a partir principalmente das redes sociais, cada vez com mais influência sobre o comportamento das pessoas integrantes destes grupos. Incluam-se aí as empresas e as respectivas equipes de trabalho. Portanto, podemos definir que o comportamento das pessoas em grupo é regido pelo que chamamos de Cérebro Social, sendo que as reações fisiológicas e neurológicas são reflexos da realidade produzida pela interação social no grupo. Pessoas prestigiadas e reconhecidas em seu ambiente de trabalho tem mais predisposição à Motivação e conseqüentemente ao Comprometimento.

Em artigo publicado pela revista HSM Management , o pesquisador Matthew Liebermann da UCLA de Los Angeles, afirma que pessoas não reconhecidas pelos seus superiores, ou desprestigiadas no ambiente de trabalho experimentam um impulso neural tão violento como uma pancada na cabeça.

A partir desta reação estas pessoas passam primeiramente a se resignar, ou mesmo a boicotar as propostas do grupo, entrando em um processo comportamental limitado às “ações de sobrevivência” . O estado mental destas pessoas passará portanto para um estágio de alerta, ou seja em um sentido de vigilância permanente, muitas vezes inconsciente, sempre à busca de novos sinais que possam traduzir-se em ameaças, desconforto e sofrimento. Desta forma não haverá condições para a criatividade e muito menos estímulos na busca de inovações, pois não existirão condições mentais necessárias à proatividade, como por exemplo concentração mental dirigida ao trabalho proposto.

No mesmo artigo, o americano David Rock, autor do livro Quiet Leadership, propõe que o Fator Necessidades Sociais apontado por Maslow em sua pirâmide de Hierarquia das Necessidades, passa a ser tão básico quanto o Fator Necessidade de Sobrevivência ou Segurança, pois ambos são ativados por respostas neurais semelhantes, principalmente no ambiente corporativo. Em um cenário de alta competitividade, não haverá mais espaço as “lideranças que evocam apenas a competição entre os seus liderados em um regime de vencedores e perdedores”. O Cérebro Social sabe distinguir entre o “amigo e o inimigo”, e as reações a este estimulo seguirão caminhos neurais que traduzirão esta informação em conforto ou ameaça .

O novo estilo de Empreendedorismo requer o entendimento desta nova realidade. A formação de equipes polivalentes deverá reunir talentos diferenciados, mas desde que haja coerência e sinergia explicita, visível e compreensível por todos os membros da equipe.

Pessoas motivadas são pessoas comprometidas. Comprometimento e motivação não se impõe, conquista-se.

Confira abaixo as cinco regras da Liderança Neural dos Empreendedores na formação de Equipes Motivadas e Comprometidas.

1- O Líder Empreendedor tem objetivos claros e aceitos por todos
Assim como a estratégia a ser desenvolvida, pense nas as metas, nos controles e no prazo de execução. Quer motivar e obter o comprometimento? Comece dizendo qual o propósito do trabalho e o que é esperado da equipe.

2- O Líder Empreendedor trabalha no senso “Small is Beautiful”
Não existe equipes de alta performance com um número excessivo de pessoas, mesmo por que a rapidez de resposta é condição crítica para a performance de resultados. Se você quer soluções rápidas e eficazes crie uma equipe de alta performance, se você quer adiar o problema crie uma comissão de estudos.

3 – O Líder Empreendedor busca a diversidade da equipe
É fundamental para a otimização na formulação do problema, na avaliação de alternativas e busca da melhor solução. Traga para a sua equipe de alta performance pessoas que possam pensar de forma proativa. Não confunda entusiasmo com proatividade, nem tão pouco pessimismo com cautela. E “pé no chão”.

4 – O Líder Empreendedor demonstra Autoconfiança e Auto-respeito
Cultive esses dois valores para que todos sejam respeitados pelos demais membros da equipe. Igualmente, cada membro da equipe deve respeitar a opinião dos demais e debater todos os pontos de vista com isenção de ânimos ou paixões pessoais. O que importa é o resultado a ser alcançado.

5- O Líder Empreendedor é o maestro
O Empreendedor não é patrão e nem o dono da verdade. O Empreendedor com sua liderança é quem dá o tom, a cadência e a direção em busca da solução final. A primeira responsabilidade do Empreendedor é dizer qual a realidade dos fatos – a última coisa a dizer é: “Muito obrigado”.

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